quarta-feira, 25 de abril de 2012


   



   O tempo é traquino e rebelde. Vive me desobedecendo. Quando eu falo para ele passar logo, ele insiste em demorar. Quando eu falo para ele seguir bem mansinho, ele voa como uma águia. Há dois anos atrás, eu sabia menos da metade do que eu sei hoje, e olhe que eu não sei de quase nada dessa vida. O tempo é  tão esperto, que apesar de malcriado, é muito sábio. Me ensinou que ele nem sempre ajuda na cicatrização das feridas, mas apazigua o coração. O tempo também me deu de presente pessoas inesquecíveis, que cuidaram de mim, desde que eu não tinha quase tempo nenhum de vida. Mesmo novinha, ele me ensinava a encurtar os laços entre as pessoas que me amavam. Quanto mais o tempo ia passando, mais eu me ligava àquela gente querida que me rodeava todos os dias, ouvindo minhas primeiras palavras e acompanhando meus primeiros passos. Ganhei de presente do meu "amigo", uma pessoa maravilhosa, que veio ao mundo com a missão de esquecer de si mesma, para cuidar dos outros. Sabe aquele tipo de gente que deixa de ter, para doar? Pois é, ela era assim. O  tempo, meu amigo, me deu horas inesquecíveis ao lado daquela que, foi a causadora de tantos sorrisos meus. Esse mesmo "amigo", traiçoeiro, levou-a de mim numa rapidez que nem eu mesma pude acompanhar. Os tantos sorrisos foram convertidos em lágrimas, e a felicidade em um imenso sofrimento repentino. 
    Dentro de mim restou apenas um vazio enorme, que eu chamo de saudade. Há dois anos, aquela senhora que mais parecia uma menina, descansou. Partiu para um lugar bem mais calmo do que esse no qual estou. Injustiça desse tempo que nem pensou em mim. Malvadeza desse tempo que nem me deu tempo para consertar meus erros, que foram tantos. Já que nada posso fazer, restou-me apenas namorar esta saudade que me acompanha e olhar as fotos daquela que se foi fisicamente, mas espiritualmente permanece entre nós.


Vó, dois anos sem a senhora é tempo demais...

domingo, 22 de abril de 2012


           



Cansei de tudo isso.
Cansei, porque cansar de procurar o que não se sabe o quê, é difícil demais.
Cansei de procurar por saber que um dia eu já encontrei o que eu tanto procurava (mesmo sem saber o que era) e mandei ir embora.
Cansei de procurar o que quer seja isso que tanto me faz falta.
Mas estou com medo de que se eu não procurar mais, talvez  o que eu quero encontrar não seja encontrado.
Talvez não haja ninguém procurando alguém como eu por aí.
Ou por aí sim, por aqui é que não.

Cansei.


                 


Não quero sair daqui sem alguém para me acompanhar.

sábado, 14 de abril de 2012

Preço de banana

      


   Eu, sinceramente, tento entender esse mundo. Mas quanto mais o tempo passa, mais isso fica complicado pra mim, já que nem amor próprio as pessoas têm. É triste ver mulheres se oferecendo como se fossem frutas a serem vendidas numa feira. Mais triste ainda é ver homens babando por pernas e bundas e peitos e cabelos e bocas e narizes afilados e bochechas rosadas demais e rostos pintados demais. Isso é ser mulher? Isso é ser objeto. Cadê a naturalidade, a leveza e todo aquele resto de coisas bonitas que eram pra acontecer por aí? Se danaram? É, se danaram. Acontece que mulher que se vê como um objeto, consequentemente é tratada como tal. Não acuso só as mulheres, porque seria injusto não falar também da qualidade de homens-banana que estão a venda no mercado. Fui à feira um dia desses e o vendedor me falou que a palma da banana está custando dez reais. Em outra situação, acharia um absurdo, mas elas estavam bem conservadas, amarelinhas, prontas para o consumo. Ao contrário das mais baratas que encontramos por aí, um pouco já mastigadas, cascas quase podres, sem qualidade nenhuma e cheia de agrotóxicos. Como sempre, temos que pagar caro se quisermos comer alguma coisa de qualidade. Fico me perguntando o que leva as pessoas a serem assim, tão superficiais. Tão sexuais. O corpo é só o corpo. A mente vai além de tudo. As pessoas se sentem felizes pelo que possuem, não mais pelo que realmente são (bem Marxista, isso). É muito falado por aí que é difícil ganhar dinheiro. Tolinhos. O mais difícil é saber usar a sabedoria para ganhar dinheiro e ser feliz ao mesmo tempo. Porque hoje em dia, meu amigo, quase ninguém sabe.  

terça-feira, 10 de abril de 2012






Noite tranquila. Lua escondida. Ônibus vazio. 
Bom pra ouvir Lenine.
É tudo tão vago. Fico te procurando em cada janela que passa, em casa frase grafitada nos muros do Recife Antigo. Sem ao menos saber se você, de fato, existe. Sou feliz todo o resto do dia, menos no momento que lembro da solidão. Ser feliz quase todo o dia não me basta. Não quero brechas. 



FICA A DICA:






segunda-feira, 2 de abril de 2012







"Ouça bem o meu conselho. - Não chore na frente dele.
Nem seu ex, nem seu futuro merece passar por isso."