O tempo é traquino e rebelde. Vive me desobedecendo. Quando eu falo para ele passar logo, ele insiste em demorar. Quando eu falo para ele seguir bem mansinho, ele voa como uma águia. Há dois anos atrás, eu sabia menos da metade do que eu sei hoje, e olhe que eu não sei de quase nada dessa vida. O tempo é tão esperto, que apesar de malcriado, é muito sábio. Me ensinou que ele nem sempre ajuda na cicatrização das feridas, mas apazigua o coração. O tempo também me deu de presente pessoas inesquecíveis, que cuidaram de mim, desde que eu não tinha quase tempo nenhum de vida. Mesmo novinha, ele me ensinava a encurtar os laços entre as pessoas que me amavam. Quanto mais o tempo ia passando, mais eu me ligava àquela gente querida que me rodeava todos os dias, ouvindo minhas primeiras palavras e acompanhando meus primeiros passos. Ganhei de presente do meu "amigo", uma pessoa maravilhosa, que veio ao mundo com a missão de esquecer de si mesma, para cuidar dos outros. Sabe aquele tipo de gente que deixa de ter, para doar? Pois é, ela era assim. O tempo, meu amigo, me deu horas inesquecíveis ao lado daquela que, foi a causadora de tantos sorrisos meus. Esse mesmo "amigo", traiçoeiro, levou-a de mim numa rapidez que nem eu mesma pude acompanhar. Os tantos sorrisos foram convertidos em lágrimas, e a felicidade em um imenso sofrimento repentino.
Dentro de mim restou apenas um vazio enorme, que eu chamo de saudade. Há dois anos, aquela senhora que mais parecia uma menina, descansou. Partiu para um lugar bem mais calmo do que esse no qual estou. Injustiça desse tempo que nem pensou em mim. Malvadeza desse tempo que nem me deu tempo para consertar meus erros, que foram tantos. Já que nada posso fazer, restou-me apenas namorar esta saudade que me acompanha e olhar as fotos daquela que se foi fisicamente, mas espiritualmente permanece entre nós.

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