quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Muro de Berlin

   



      Não sei se sou eu que estou fria demais, ou se estou passando a impressão errada. Só sei que algo não está dando certo. Tornei meu sorriso mais sincero, meu olhar mais doce e minha voz mais forte, mas mesmo assim, não sei o que há de errado comigo. Adoro trabalhar, corro atrás do que eu quero e sou quase independente. Estudo pra cacete, e estou matriculada em um curso que, na verdade, não sei bem se é o que eu quero. O que essas "periguetes" por aí tem a mais do que eu? Putaria? Ah, faça-me o favor. Isso é muito ultrapassado. Eu também não sou tão chata assim. Me mato de trabalhar pra me matar de treinar na academia e ainda não é o bastante? Gasto pra caramba com maquiagem e cabeleireira e ainda não é o bastante? Porra. Eu devo ser muito chata mesmo. Até a minha melhor amiga, não é mais a minha melhor amiga. Mentiu pra mim. Agora sabe-se lá o que eu fiz para ela chegar a esse ponto. Ou isso deve ser da natureza dela mesmo. Chorei uma semana inteira por isso. Eu sou tão nova, mas sinto que quando eu era mais nova ainda, era mais fácil me apaixonar. Antes eu corria dessa prisão, hoje eu imploro por ela. O ser humano é um nada quando não está apaixonado. O melhor da vida é vê-la com os olhos cheios de sentimento. Tudo fica mais fácil. Pelo menos eu fico bem mais motivada. Não é que eu precise de alguém pra ser feliz. Mas é que eu quero sair só com um alguém na sexta depois do trabalho, no sábado a noite e no domingo a tardinha. Quero sim, receber ligações de madrugada, de manhãzinha, falar como foi o meu dia no trabalho... Planejar o final de semana. Fazer tudo o que um casal faz. O problema é não saber mais como fazer isso. É deixar de procurar e ficar por aí com os caras errados. É deixar aparecer.

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